Por Roberto Shinyashiki
Outro dia, à espera do presidente de uma empresa para uma reunião, fui atendido por sua secretária. Ela pediu desculpas pelo atraso do chefe e disse que gostava dos meus livros. Me serviu um chá e começou a comentar os problemas do escritório. Sem prestar atenção no meu desconforto, contou que o presidente estava em reunião com a diretora de Marketing que, segundo ela, além de arrogante, não fazia nada direito. Minutos depois, a moça já havia falado de quase todos os funcionários.
Quando o presidente entrou na sala, ela saiu comoum anjo de candura e discrição. E eu já imaginei o rumo que nossa conversa tomaria: os problemas com o clima da organização. De fato, as dificuldades apresentadas por ele tinhas a ver com os colaboradores.
Depois da reunião, lembrei que há alguns anos, minha empresa enfrentava uma série de problemas e me confortava saber que minha assistente direta me mantinha informado de tudo. Confiava nela e não me dava conta de que recebia uma versão particular dos fatos. Ela era capaz de me fazer sentir raiva de dois ou três colaboradores - conincidentemente, daqueles de quem ela não gostava. Parecia amiga e prestativa mas no fundo vibrava com a bagunça gerada por suas "observações".
Levei tempo para perceber que ela avaliava tudo sem nenhuma isenção.
Depois de várias tentativas para motivá-la a se relacionar melhor com o grupo a demiti. O clima de terror em que ela me metia jamais me permitiria implantar as mudanças que eu desejava.
Agora, vamos analisar a questão pelo lado do futriqueiro. Falar dos outros com maldade não é um impulso natural. Então se você tiver a lingua afiada seja humilde para repensar esse hábito. Em geral quem cultiva essa mania guarda um sentimento de inferioridade, de insegurança, de satisfação; em vez de aplaudir tenta destruir a pessoa que admira. As mulheres são mais fofoqueiras que os homens e isso tem explicação: durante muito tempo foram proibidas de manifestar suas opiniões em público e agora inconscientemente descontam os anos perdidos. No entanto, isso não absolve ninguém. Salvo a exceção da fofoca do bem, que é o aplauso por meio de palavras, é preciso se policiar e mudar.
Essa mudança, assim como qualquer outra, não vai acontecer por que é necessária, tampouco porque eu estou aconselhando. As pessoas só decidem agir diferente quando tomam consciência do seu comportamento negativo. Pense nos alcoólatras e em como conseguem se livrar do vício. Com a fofoca é igual. O problema é que dificilmente quemfaz entrigas tem plena noção disso. Acredita que o mau humor do chefe para o disse-que-disse é passageiro, e que, em pouco tempo será possivel aguçar a curiosidade dele de novo.
Então coloque na cabeça que a fofoca é um sentimento de pura inveja em relação ao alvo da bisbilhotice. Imagine que uma panelinha do escritório detonando a colega competente que recebe elogios. Esse time é contra producente. No lugar de ficar de tititi as despeitadas poderiam tomá-la como modelo. E procurar melhorar o próprio desempenho. Também olho vivo com o corredor-press! Quem passa adiante aquilo que ouviu vira instrumento de fofoca. Você nào perde nada mantendo-se fora desse poço de veneno.
O antídoto para sua veia de fofoqueira é cuidar bem de você, apresentar melhor suas idéias, ser amiga de verdade e, principalemente, aprender muito. Ao focar seu interesse de chegar ao topo começa a perceber que a vontade de monitorar a vida olheia se desfaz em seu coração. O sucesso dátanto trabalho que logo você descobrirá coisas mais importantes a fazer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pela visita...
Gostou deste artigo? Comente? Dê sua opinião.
Nos comentários escreva apenas o que for referente ao tema.
Se quiser apenas entrar em contato escreva para mtadeurs@terra.com.br e faça sugestões, criticas, elogios...